Autismo: o mundo de outra perspectiva

O Autismo ou, mais corretamente, o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) tem sido cada vez mais falado nas mídias sociais e até em séries e filmes. Tornando mais conhecidas as diferenças dos indivíduos do Espectro, que enxergam o mundo de outra perspectiva. Assim, despertam o interesse de estudiosos e de seus familiares, na tentativa de entendê-los e acolhê-los da melhor forma possível.

O Transtorno do Espectro do Autismo é uma desordem do neurodesenvolvimento que se caracteriza basicamente por déficits na interação e na comunicação social, comportamentos e interesses repetitivos e restritos.

Podendo estar associado a outras condições médicas, como a deficiência intelectual, alterações de linguagem e audição, epilepsia, transtornos de humor e do aprendizado

Autismo
Autismo outra forma de ver o mundo

Existem diferentes graus de TEA?

A palavra “espectro” está no nome do Transtorno do Espectro do Autismo justamente para indicar que existem diversos níveis de gravidade nas apresentações clínicas.

Existe uma classificação do TEA em graus Leve, Moderado ou Grave. A principal utilidade dessa classificação é para esclarecer o nível de suporte e cuidados que esses indivíduos precisam para os órgãos burocráticos/ governamentais. De forma que esses pacientes e cuidadores tenham acesso a seus direitos, previstos na Lei.

Nessa classificação o quadro Leve é aquele paciente que requer algum nível de suporte para realizar as atividades da vida diária. Apresenta dificuldade em iniciar interações sociais, desinteresse por situações sociais, tentativas inadequadas e sem sucesso de fazer amigos, falha na reciprocidade social, falha em gerar respostas adequadas ao contexto.

No quadro Moderado, existe aumento da necessidade de suporte para realizar as atividades do dia a dia e os déficits na comunicação são mais significativos, com interação social mais prejudicada.

No quadro Grave, a necessidade de suporte é integral, requerendo vigilância 24 horas, com graves limitações na interações social e resposta social mínima.

Como é feito o diagnóstico do TEA?

O diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo é clínico, ou seja, ele é feito baseado em uma avaliação ampla por especialista, de preferência psiquiatra  ou neuropediatra. No entanto, muitas vezes o diagnóstico não é concluído na primeira consulta, sendo necessário acompanhar o paciente por algum tempo para construir a hipótese diagnóstica mais adequada.

A avaliação diagnóstica é feita através de:

  1. Entrevista médica com paciente, familiares, terapeutas e escola. Coletar as informações de várias fontes é essencial para ter uma visão global do caso e compreender os vários cenários da vida do paciente.
  2. Interrogatório sobre histórico familiar de doenças, devido ao forte componente genético na origem do Transtorno do Espectro do Autismo.
  3. Análise das características físicas e dos comportamentos do paciente nas consultas e pelos relatos da família e escola.
  4. Avaliação das dificuldades e das potencialidades do paciente, assim como de seus cuidadores principais.
  5. Investigação da presença de patologias ou condições associadas.

Mesmo sem uma certeza do diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo, o início do tratamento não deve ser adiado.

Existindo a suspeita de Transtorno do Neurodesenvolvimento, seja TEA ou outro – o paciente deve ser encaminhado para os tratamentos necessários (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicoterapia, etc) o mais rápido possível.

Quanto antes iniciar o tratamento com estimulação adequada, melhor será o prognóstico e a chance de desenvolvimento do paciente.

A diversidade torna o mundo mais colorido

Quais são os critérios diagnósticos do autismo?

Na psiquiatria, nos baseamos nos Critérios Diagnósticos do DSM-5.

Para o diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo é necessário a presença dos seguintes sinais e sintomas:

  1. Prejuízos persistentes na comunicação social e na interação social em diversos contextos:
  • Dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais
  • Déficits na reciprocidade socioemocional
  • Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social
  • Dificuldade de compreensão e uso de gestos utilizados na comunicação social
  • Prejuízo no estabelecimento e manutenção de relacionamentos
  • Dificuldade de fazer amigos ou ausência de interesse por pares

2. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, conforme manifestado por pelo menos 2 dos seguintes:

  • Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos
  • Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal
  • Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco
  • Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente

3. Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento, mas podem não ser notados até que as demandas sociais excedam as capacidades de adaptação

4. Esses sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente.

5. As alterações não são melhor explicadas por prejuízo na inteligência ou por atraso global do desenvolvimento

Prevalência do TEA

Em termos de prevalência, ou seja, porcentagem de casos de Transtorno do Espectro do Autismo na população geral, o TEA é mais prevalente em meninos, na proporção em torno de 1 menina para cada 3 a 4 meninos com TEA

No Brasil, a prevalência geral do TEA não é bem estabelecida, faltam dados de coleta estatística. As estimativas variam a depender do método do estudo e da população avaliada, segundo dados do UpToDate®. A prevalência estimada na Europa, Ásia e EUA seria em torno de 1:40 até 1:500. Ou seja, não se sabe exatamente qual a prevalência exata, principalmente devido a grande diversidade de apresentações dos quadros.

“Estimates of the prevalence of ASD vary with study methodology and the population that is evaluated. The overall prevalence of ASD in Europe, Asia, and the United States ranges from 2 to 25 per 1000, or approximately 1 in 40 to 1 in 500”

UptoDate®
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O diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo tem aumentado?

A taxa de diagnóstico aumentou nos últimos anos, provavelmente devido ao aumento do conhecimento e interesse sobre o TEA, consequentemente, auxiliando em melhores avaliações diagnósticas. Existe debate sobre se a cultura tecnológica e digital teria influência no aumento do TEA, essas e outras hipóteses causais são investigadas. No entanto, o mais importante é aceitar que o autismo é uma outra forma de PERCEBER o mundo e esses indivíduos sempre estiveram aqui!

O que mudou é que agora eles são visto e RESPEITADOS!

Já houve o tempo em que foram excluídos e escondidos da sociedade, sem receber o suporte e estímulo que merecem, como todo ser vivo. Ainda estamos em processo de conhecer e nos adaptar uns aos outros! Reconhecendo que TODOS temos nossas limitações e nossas peculiaridades. Vivemos e aprendemos a nos relacionar diariamente, alguns com mais facilidade que outros, cada um no seu tempo!

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